sábado, 26 de dezembro de 2015

retorno

Volto àquela casa antiga e nas paredes vejo tantos que já foram.
Em seus corredores ainda os gritos de alegria, os amores.
Por que tanto tempo? Por que as janelas ainda estão tão fechadas?
caminho pelo bosque, vou ao campo e chamo meus amigos...
por que tão queridos e hoje tão silenciosos? Por que acabei restando, como se vivesse em um exílio?
Acho que foi para isso que nos criaram para aprendermos a resiliência de uma erva daninha, que sobrevive ao caos, e que no meio da fartura oferece seus espinhos, e se tomba por terra, mas no ano vindouro aparece em prece, com brotos tenros e poucos olhos conseguem tirar dela algum remédio.
Ouvi falar que não devemos voltar onde fomos felizes, a custo consigo entender quando olho esses corredores, essas janelas, essa dura ausência, a questão não é voltar naquele mesmo espaço, mas é voltar naquele tempo. E isso nem toda resiliência faz o espaço dobrar para este tempo de fartura voltar, pois nosso futuro em um segundo se torna presente e em outras amarras o passado vem em espiral, mas não se repete. Nosso Kairós é apenas um pedacinho do reino do céus, lembrado, amado e vivido a muito tempo, mas hoje o que está lá em meio tantos sacramentos não nos oferece a taça com cheiura de outros tempos. Saio, ainda bem que em sonho, daquela casa, daqueles portões, daquele lugar onde fui feliz, parece-me que o espaço mudou com o tempo, o que fica uma saudade forte bucólica, daqueles que sorriram, pregaram e existiram ombro a ombro comigo. Hoje, minha força vem do rebento que deixo no mundo como minha herança, do seio fecundo que a gerou, e da minha vontade que ela seja mais forte, mais determinada e não se impeça de levar um Kairós eterno nesse coraçãozinho que ainda desconhece o cadinho do sofrimento.
Volto repetidas vezes se for necessário, e que reminiscencia do caminho me aproxime da graça.

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